No ano de 1213 da era comum, o Império Jin mostrava sinais de fragilidade, enquanto o sul da dinastia Song continuava mergulhado na decadência; Xixia, Dali, Goryeo e Japão eram ainda menos relevantes.
Guo Ning sentia o corpo inteiro gelado como se fosse feito de gelo, enquanto nas costas pulsava uma dor lancinante. Tossiu violentamente várias vezes até conseguir cuspir a lama e o sangue sujo que quase lhe soterravam nariz e boca.
Conforme respirava com dificuldade, a água à sua frente ondulava, e os cacos de gelo partidos se chocavam uns contra os outros com um leve tinido. O vento uivava ao passar, tornando o frio ainda mais intenso. No meio desse som, ouvia-se, quase indistinto, gemidos de dor e o baque surdo de lâminas afiadas penetrando em corpos humanos.
Esses ruídos deixaram Guo Ning subitamente tenso. Instintivamente apoiou-se com força nos braços, erguendo o corpo que jazia caído na água.
Esse movimento intensificou ainda mais a dor nas costas, como se algo ardente estivesse remexendo entre os ossos e músculos. Eram duas flechas, cujas pontas estavam profundamente cravadas em sua carne. Felizmente, parecia que não tinham atingido nenhum órgão vital.
Guo Ning teve a sensação de ter sonhado por muito tempo, só agora despertando. Ao acordar, estava confuso, sem saber se o sonho ou o que vivia era o real.
Contudo, ao virar-se um pouco e ver os corpos espalhados pela água, o sangue jorrando de horríveis feridas e tingindo todo o pântano, teve certeza: aquilo era a realidade, não um sonho.
A poucos metros dali, um homem de barbas espessas caminhava pela borda do brejo.
Vestia uma armadura leve de couro sobre uma túnica larga de gola redonda, trazia um arco nas costas, uma aljava à cintura e empunhava uma lâmina ensanguentada