O céu é misterioso e profundo, o universo vasto e antigo. Quando a raposa de nove caudas surge, o mundo mergulha no caos. Quatro feras selvagens, presságios de calamidades aquáticas — Manman, Shengyu,
A Grande Desolação, uma terra repleta de mistérios, deu origem a inúmeras civilizações ancestrais.
O vento gelado soprava como lâminas rasgando o solo, quase derrubando uma silhueta magra que se esforçava para manter-se de pé. Ele tinha cerca de sete ou oito anos, o rosto sujo, mas os olhos brilhavam com uma intensidade incomum.
Vestia uma roupa de peles de animal, velha e rasgada, e os cabelos desgrenhados caíam sobre as costas, lembrando um órfão errante, perdido em terras estrangeiras.
— À frente está o povo de Leizé. Caminhei por um ano, finalmente cheguei — sussurrou Huaxu Shaoyu, empurrando os cabelos desalinhados para trás dos ombros, com esperança nos olhos.
Do clã Huaxu até o povo de Leizé eram exatas vinte mil léguas. Por todo esse território havia apenas a vastidão da Grande Desolação, repleta de feras selvagens e poderosas. Sobreviver a tal travessia era um verdadeiro milagre.
Mas o perigo maior vinha dos próprios membros de seu clã, que perseguiam-no incansavelmente.
— Moleque, saia já daqui! — rosnou um guarda de pelo arco-íris, com a pele escura e armadura de ferro vermelho, encarando Huaxu Shaoyu com hostilidade.
O olhar frio do guarda fez Shaoyu encolher o corpo ainda mais. Meses a fio vivendo ao relento, desviando das feras e fugindo dos assassinos de seu próprio povo, não lhe restava tempo para cuidar de si.
Ser tratado como um mendigo era inevitável.
— Eu... — tentou dizer Shaoyu, mas foi empurrado rudemente para o lado.
Cambaleou como folha ao vento, quase caindo ao chão.
— Se não sumi