Um movimento em falso e todo o jogo está perdido. Em sua vida anterior, Chu Herong não passava de uma peça no tabuleiro alheio, sem jamais poder escolher seu próprio destino, sendo manipulada pelos po
No oitavo ano do reinado de Qianyuan da Grande Zhao, o início da primavera trazia um frio suave.
No palácio imperial, a luz do dia resplandecia. Um eunuco segurando um chicote anunciava nomes em alto e bom som, enquanto o jovem imperador Qianyuan, Wei Shenzhi, sentava-se no trono do dragão, escutando os assuntos de Estado. Entretanto, no salão Qingyuan do harém, entre uma fileira de aposentos, ecoavam gemidos abafados de dor de uma mulher.
Qingping era mantida firmemente pelas mãos de duas amas robustas, ajoelhada no chão com aparência miserável. Sua roupa estava aberta, revelando um corpete cor de água, os cabelos desgrenhados e o rosto marcado pelas emoções da primavera. Contudo, seus olhos brilhantes estavam repletos de ódio, fixos intensamente na jovem de vestido rosa que, ajoelhada ao lado do divã da concubina, limpava o rosto de outra mulher com um pano úmido.
“Chu... Chu Herong, você é cruel, você me armou para...” Armou para mim! A frase mal fora pronunciada quando uma das amas tapou sua boca com um pano, fazendo Qingping engasgar e cair ao chão. Apesar de tudo, ela ainda lutava, emitindo gemidos abafados, mas ninguém conseguia distinguir o que ela vociferava.
A jovem de vestido rosa — Chu Herong — ignorava completamente o olhar furioso de Qingping, concentrando-se em limpar o rosto da mulher no divã, que fingia estar inconsciente, com as pálpebras trêmulas. Chu Herong ergueu-se sorrindo e, voltando-se para o intendente do salão Qingyuan, perguntou suavemente: “Intendente Mo, a senhorita Song está desmaiada, o imperador foi ao conselho...